Símbolos Imperiais

BANDEIRA IMPERIAL

Inicialmente foi idealizada como pavilhão pessoal de Dom Pedro I, então Príncipe Real do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, pelo mestre Jean-Baptiste Debret, da Missão Artística Francesa. O primeiro projeto continha quase todos os elementos, porém, não organizados em um escudo, e fora encomendado pelo Rei Dom João VI em 1820; sua única diferença era que, ao invés de um ramo de tabaco e café, era composto por ramos de cana-de-açúcar e tabaco. Até hoje não se sabe se a organização dos elementos em escudo foi obra somente de Debret ou se contou com a colaboração de Dom Pedro I, da Imperatriz Dona Leopoldina ou ainda do Patriarca José Bonifácio de Andrada e Silva.

O Imperador Dom Pedro I decretou seu pavilhão como símbolo nacional, descrevendo no Decreto nº 3, de 18 de Setembro de 1822, as Armas Nacionais como “em campo verde uma Esphera Armilar de ouro atravessada por uma Cruz da Ordem de Christo, sendo circulada a mesma Esphera de 19 Estrellas de prata em uma orla azul; e firmada a Corôa Real diamantina sobre o Escudo, cujo lado serão abraçados por dous ramos das plantas de Café e Tabaco, como Emblemas de sua riqueza comercial, representados na sua própria cor e ligados na sua parte inferior pelo Laço da Nação” e a Bandeira Nacional “composta de um paralelogrammo verde, e nelle inscripto um quadrilatero rhomboidal côr de ouro, ficando no centro deste o Escudo das Armas do Brazil”.

Em 1º de dezembro de 1822, a Coroa do Reino do Brasil foi modificada para a Coroa do Império do Brasil por meio de outro decreto, tomando a Bandeira Imperial a forma que conhecemos hoje. Depois disso, apenas ocorreram alterações no número das estrelas que simbolizavam as províncias do Império: em 1829, foi retirada uma estrela, pelo fato de a Província Cisplatina (Uruguai) ter sido desligada do Brasil; a criação das Províncias do Amazonas, em 1850, e do Paraná, três anos depois, determinou o acréscimo de estrelas. As alterações do número de estrelas foram imediatas, sem qualquer ato oficial.

Acredita-se que a representação das províncias por meio de estrelas tenha sido ideia de Dom Pedro I, inspirado pela porta da Igreja de São Francisco de Assis, em Ouro Preto, esculpida pelo Aleijadinho, a qual foi copiada no teto da sacristia, em que estão pintadas dezenove estrelas, circundando as quinas do Brasão Português.

A Cruz da Ordem de Cristo e a Esfera Armilar são símbolos que mostram claramente a herança do Reino de Portugal, a Cruz da Ordem de Cristo e a Esfera Armilar. A forma do losango, usada na Bandeira, estava muito em voga no início do século XIX, por influência napoleônica. A cor verde era tradicional da Casa de Bragança, a que pertencia o primeiro Imperador, ao passo que o amarelo era a cor da Casa de Habsburgo-Lorena, à qual pertencia a Imperatriz D. Leopoldina.

 

BRASÃO DA CASA IMPERIAL DO BRASIL

O Brasão da Casa Imperial do Brasil segue o mesmo padrão do Brasão do Império, ou seja, escudo (em estilo inglês) em campo verde, com a esfera armilar de ouro transpassada pela Cruz da Ordem de Cristo ao centro e, encerrado em um listel azul orlado de prata, as estrelas que simbolizam as divisões administrativas subnacionais; acima do brasão, a Coroa Imperial em forro vermelho e, como suportes, os ramos de café e tabaco, ligados em sua parte inferior pelo Laço da Nação.

Existem apenas 2 diferenças em relação ao Brasão do Império. A primeira é que, ao invés das 20 estrelas que simbolizavam as Províncias do Império, há 27 estrelas representando os Estados brasileiros. A segunda — e principal — é a inclusão do brasonete da Casa de Orleans ao centro, em campo azul, com três flores-de-lis douradas e um lambel de herdeiro presuntivo disposto em chefe.

O brasonete começou a ser representado no pavilhão pessoal da Princesa Dona Isabel, por ocasião de seu matrimônio com o Conde d’Eu, Gastão de Orleans, nobre francês e Príncipe da Casa de Orleans. A união fundou a Dinastia de Orleans e Bragança, que herdou, na pessoa de Dona Isabel e seus descendentes, os direitos ao Trono e à Coroa do Brasil. Assim, desde a Princesa Dona Isabel, este Brasão é o símbolo da Casa Imperial do Brasil e da Dinastia de Orleans e Bragança.

 

 

A COROA IMPERIAL

A Coroa Imperial, símbolo do poder e legitimidade do monarca, assim como do próprio Estado, é a uma das joias mais importantes já feita nas Américas. Era utilizada apenas durante a cerimônia de Coroação e na Abertura e Fechamento dos trabalhos na Assembleia Geral, na cerimônia chamada de “Fala do Trono”.

A primeira coroa brasileira, utilizada para a coroação de Dom Pedro I, foi desmontada em 1840, para suas pedras preciosas serem utilizadas na composição da nova Coroa Imperial de Dom Pedro II, pois o Segundo Reinado era tido como um recomeço para o Império Brasileiro. Após a renúncia do Imperador Dom Pedro I e do conturbado Período Regencial, esperava-se um grande período de paz e prosperidade para o Império, o que realmente aconteceu.

A Coroa de Dom Pedro II foi confeccionada pelo joalheiro Carlos Martin, em ouro 18 quilates com os diamantes da antiga Coroa Imperial e com as pérolas de um colar da Imperatriz Leopoldina legado a Dom Pedro II. Ao todo são 639 diamantes e 77 pérolas de oito milímetros cada uma, em uma estrutura que pesa um quilo e novecentos gramas, com diâmetro de 205 milímetros e altura de 31 centímetros. A Coroa Imperial segue a norma das coroas europeias, sendo composta por oito semiarcos que se encontram ao topo em um orbe, o “globus cruciger”, encimado por uma Cruz de Cristo; ela é forrada internamente por veludo verde escuro, mesma cor do Manto Imperial.

A Coroa Imperial de Dom Pedro II foi apresentada pela primeira vez ao público em 8 de Julho de 1841, apenas dez dias antes da cerimônia de Coroação e desde o golpe de 15 de Novembro até a inauguração do Museu Imperial em Petrópolis, em 1943, foi mantida escondida, guardada nos cofres do Tesouro Nacional, junto com as outras Joias da Coroa. 

Recentemente a joalheria Amsterdam Sauer criou uma réplica da Coroa Imperial, utilizando técnicas artesanais antigas, levando ao todo 18 meses para finalizar uma obra com o peso de dois quilos e oitocentos gramas, 596 diamantes e oitenta pérolas, exposta permanentemente no Museu Amsterdam Sauer de Pedras Preciosas, em Ipanema.

 

 

O CETRO IMPERIAL


O Cetro Imperial, o bastão símbolo do poder e autoridade do monarca, é juntamente com a Coroa Imperial e as demais Joias da Coroa, um dos trabalhos de joalheria mais importantes da América Latina. Era utilizado somente em cerimônias solenes como a Coroação e a Abertura e Fechamento da Assembleia Geral, acompanhado de toda indumentária Imperial, com o manto e outras Joias da Coroa.

O Cetro Imperial foi confeccionado pelo ourives fluminense Manuel Inácio de Loiola, o mesmo que confeccionou a primeira Coroa Imperial para a cerimônia de Coroação de Dom Pedro I em 1822. Era entregue ao soberano por último durante a cerimônia, após a entrega da Mão da Justiça. A peça foi confeccionada inteiramente em ouro e cravejada com brilhantes, medindo dois metros e meio e terminando com uma Serpe, um dragão alado de duas patas, o símbolo da Casa de Bragança após a ascensão ao Trono de Portugal em 1640.

A joia foi mantida com as outras peças das Joias da Coroa nos cofres do Tesouro Nacional entre 1889 e a inauguração do Museu imperial em Petrópolis, onde se encontra até hoje.

 

 

O MANTO IMPERIAL

O Manto Imperial do Brasil era utilizado juntamente com a Coroa Imperial e o Cetro Imperial durante cerimônias solenes da Abertura e Fechamento dos trabalhos na Assembleia Geral, quando Imperador proferia a “Fala do Trono”, e durante a Coroação.

O Manto Imperial, com a murça de penas de galo-da-serra foi confeccionado para a Coroação de Dom Pedro I em 1822. Em forma de poncho e com a murça de penas, era muito diferente dos tradicionais mantos europeus vermelhos ou azuis com pelagem de arminho. O poncho das vestes era de veludo verde escuro, sua parte interna era forrada de cetim amarelo, as cores nacionais; por fora em fios de ouro estavam bordados, ao redor, ramos de cacau e tabaco; no centro uma série de Serpes, representando a Real e Imperial Casa de Bragança, esferas armilares, antigo símbolo do Reino do Brasil, e por fim estrelas, simbolizando o novo Império. Sua confecção foi atribuída a senhoras da nobreza, que em um mês o confeccionaram.

A murça do Manto Imperial era feita de penas, primeiramente de galo-da-serra, sendo refeita durante o Segundo Reinado por penas de papo de Tucano, ambas amarelas. A confecção da primeira murça é atribuída a um comerciante que a encomendou aos índios Tirió e com ela presenteou o Imperador.

Diferentemente de Dom Pedro I, que fora coroado com farda militar sob o manto e calçando botas com esporas e ostentando todas as suas insígnias militares, Dom Pedro II foi coroado com vestes que haviam pertencido ao seu avô, o Imperador Francisco I da Áustria, sob o Manto Imperial, portanto somente a faixa e o colar da Ordem do Cruzeiro do Sul.

Atualmente o Manto Imperial com as vestes de Dom Pedro II encontra-se no Museu Imperial em Petrópolis.

 

 

A PENA DA ABOLIÇÃO

Reveste-se também de grande significado a pena utilizada pela Princesa Imperial Regente Dona Isabel para assinar a abolição da escravatura no Brasil. Simboliza o amor do Povo Brasileiro à Princesa Imperial e o ativismo desta com o abolicionismo.

A Pena da Abolição foi um presente do Povo à Princesa Isabel, pois quando se soube que o projeto de abolição seria aprovado pelo Parlamento, foi iniciada uma campanha de subscrição pública, tanto por políticos quanto por cidadãos comuns, principalmente por parte de escravos fugitivos e alforriados do Quilombo do Leblon, para a compra da valiosa pena. A peça é feita inteiramente com ouro 18 quilates, cravejada com 27 diamantes e outras 25 pedras preciosas, mantida em um estojo com a inscrição “A Dona Isabel, a Redentora, o povo agradecido”, tendo no lado oposto o número e a data da Lei.

A Pena da Abolição somente foi usada naquela única data de 13 de Maio de 1888 no Salão do Trono do Paço Imperial, quando foi assinada a Lei Áurea. Foi mantida na posse do ramo não-dinástico da Família Imperial até 2007, quando foi vendida ao Museu Imperial de Petrópolis, onde atualmente é conservada.