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TRASLADO DA IMPERATRIZ LEOPOLDINA
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D. Pedro Henrique autoriza o traslado de Dona Leopoldina

Tendo em vista o grande interesse dos brasileiros pelo recente trabalho de exumação de nossos imperadores, seria oportuno relatar como o corpo da primeira esposa de D. Pedro I, D. Leopoldina, foi transferido do Rio de Janeiro para o Monumento do Ipiranga, em São Paulo.

Transcorria o ano de 1954, em que se comemorava o IV Centenário da metrópole paulista, e a Prefeitura queria marcar a data com o traslado dos despojos de D. Leopoldina para o Pantheon do Ipiranga.

Incumbiu-se da tarefa de agenciar esse traslado o Presidente do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, Prof. Ernesto de Souza Campos, que em 25 de junho de 1954 dirigiu ao Príncipe D. Pedro Henrique, então Chefe da Casa Imperial brasileira, uma carta, escrita em nome do IHGSP e da Prefeitura. Nessa carta informava já ter efetuado as necessárias consultas ao Governo Federal e ao guardião do Convento do Rio de Janeiro em que estava sepultada a Imperatriz, e acrescentou:

“Como é do conhecimento de Vossa Alteza Imperial, a Prefeitura construiu no Ipiranga, exatamente no local  em que D.  Pedro  I proclamou a Independência do Brasil, um belíssimo Pantheon todo revestido de mármore e bronze para nele serem guardados e venerados os despojos de Sua Majestade o Imperador e Sua Augusta Esposa, D. Leopoldina, que muito trabalhou pela nossa Independência. [...] Muito nos honraria se Vossa Alteza Imperial aquiescesse em ser efetuada a trasladação ora solicitada”.

D. Pedro Henrique respondeu a 26 de julho do mesmo ano, em termos tão elevados que resumir suas palavras seria privar os brasileiros de verdadeira obra-prima de simplicidade, categoria, charme, espírito sobrenatural e, em uma só palavra, nobreza. Aqui transcrevemos o documento, de transcendente interesse histórico:

Em sua carta de 25 de Junho, que me chegou às mãos em 21 do corrente mês, V. Excia. solicita que eu autorize a trasladação dos restos mortais de minha augusta trisavó, D. Leopoldina, do jazigo do Convento de Santo Antonio, no Rio de Janeiro, para o Mausoléu-Pantheon que a Prefeitura de S. Paulo construiu na colina do Ipiranga.

Devo dizer a V. Excia. que acho a idéia feliz, pois D. Leopoldina bem merece descansar ali onde o Brasil nasceu como nação independente, ela que tanto fez pela independência do Brasil e tanto a desejou.

Como Chefe da Casa Imperial do Brasil dou meu consentimento para esta trasladação dos despojos de minha venerada Ancestral, mas devo antes pedir algumas condições que passo a expor.

Primeiro. Que a Câmara Mortuária do Pantheon seja adornada de um grande Crucifixo, que dê ao mausoléu um caráter religioso.

Segundo. Que haja um altar no Pantheon onde se possam celebrar Missas em sufrágio das almas dos que lá descansarem.

Terceiro. Que o mausoléu seja previamente bento por sacerdote católico.

Minha Família é e sempre foi profundamente católica, e não poderia se conformar que algum de seus membros repousasse em terra e ambiente não sagrados.

Uma vez garantidos estes três pontos, eu, como Chefe da Casa Imperial, consinto prazenteiramente que os despojos de D. Leopoldina sejam trasladados da Igreja do Convento de Santo Antonio para o Mausoléu do Ipiranga.

Quero porém crer que V. Excia. se tenha igualmente dirigido a meus primos, os Senhores D. Pedro Gastão e D. João de Orléans e Bragança, cujo consentimento também é necessário para se tocar no sepulcro de nossa augusta Avó.

Felicito V. Excia. pela luminosa iniciativa, que dará um cunho sagrado à histórica colina do Ipiranga, e fará do Monumento de nossa independência um memorial ainda mais eloquente, a tornar viva aos presentes a epopéia de nossa Emancipação política.

Deus guarde V. Excia.

a) Pedro Henrique de Orleans e Bragança


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