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PRINCESA MARIA PIA
Monarquia

Princesa Maria Pia de Bourbon
(1878-1973)

 

Tendo encontrado entre guardados a foto que orna este cartão, julguei que poderia ocupar-me mais uma vez de minha avó paterna, a Princesa D. Maria Pia, compartilhando impressões e recordações que sua figura suscita, justamente neste quadragésimo ano de seu falecimento, ocorrido a 20 de junho de 1973.


Nessa jovem de 19 anos reluz, intacta, a inocência da infância, acrescida do cultivo de dotes naturais e da aquisição de virtudes que a tornam preparada para o que lhe reserve a existência: graça, presença, domínio de si, determinação. 


Realização de um perfil humano que é fruto da civilização cristã; o equilíbrio de alma vindo da inteligência iluminada pela fé, da vontade fortificada pela graça, da sensibilidade ordenada pela temperança.


Nascida a 12 de agosto de 1878 em Cannes, quinta dos onze filhos de D. Afonso, Chefe da Casa Real de Bourbon-Sicílias e de sua esposa e prima D. Maria Antonieta, D. Maria Pia era assim sobrinha neta da Imperatriz D. Teresa Cristina do Brasil. Ao desposar em 1908 meu avô o Príncipe D. Luiz de Orleans e Braganca, devotou-se de toda a alma ao novo tronco no qual se inseria.


Mas, aos 44 anos, essa esposa, nora e mãe de príncipes brasileiros, perdia, no curto prazo de dois anos e meio, o marido, a Princesa Isabel e o Conde d'Eu, tomando sobre si a delicada tarefa da formação dos três filhos – meu pai, meus tios D. Luiz Gastão e Da. Pia Maria – para as responsabilidades de sua condição.


Buscou ela mesma identificar-se com o Brasil. Aqui esteve em 1922, por ocasião do Centenário da Independência, acompanhando o filho mais velho, meu pai D. Pedro Henrique, tornado precocemente Chefe da Casa Imperial, para apresentá-lo aos brasileiros. 


Sua presença foi muito solicitada então, chegando a participar do lançamento da pedra fundamental do Cristo do Corcovado, monumento cuja edificação teve em sua origem um pedido da Princesa Isabel. Minha avó haveria ainda de retornar ao Brasil, ao qual muito se afeiçoou.


Eu e meus irmãos tivemos o privilégio de estreito contato com Vovó quando jovens. Grande bondade e notável firmeza de princípios eram nela notas dominantes e harmônicas. 


Em extensas caminhadas ou em longos serões, ela nos comunicava seu grande afeto, transmitindo a visão do mundo e os valores que constituíam o maior patrimônio de nossa família, em que eram medulares um profundo senso católico e a fidelidade ao Papado.


D. Maria Pia teve a honra de avistar-se pessoalmente com o Papa São Pio X, e conservou do encontro, com profunda veneração, uma foto dedicada do Pontífice, hoje em minhas mãos.


São do grande Papa, na Carta Apostólica de 25 de outubro de 1910, estas lapidares palavras: "... a civilização não mais está para ser inventada nem a cidade nova para ser construída nas nuvens. Ela existiu, ela existe; é a civilização cristã, é a cidade católica. Trata-se apenas de instaurá-la e restaurá-la sem cessar sobre seus fundamentos naturais e divinos: omnia instaurare in Christo".

 

Dom Luiz de Orleans e Bragança

(Excerto do Cartão de Natal de 2013 de Dom Luiz de Orleans e Bragança)